terça-feira, 1 de março de 2016

Filhos do Paraíso



"Filhos do Paraíso ilustra os simples laços do amor."  ( Miami Herald)
"Uma obra simplesmente arrebatadora." ( New York Magazine)
"Filhos do Paraíso é extremamente tocante, uma história de profunda devoção entre crianças. É um filme comovente... irresistível!" (Los Angeles Times)

Essas foram algumas afirmações da crítica sobre Filhos do Paraíso. Para mim um singelo e cativante filme que nos mostra os verdadeiros valores humanos. Adultos e especialmente crianças não abdicam de sua dignidade, apesar da condições desfavoráveis em que vivem.



Os últimos retoques do conserto dos velhos sapatinhos rosa estão sendo dado pelo sapateiro aos olhos do menino Ali de 9 anos. O garoto tinha ido buscá-los, antes de ir à quitanda comprar alguns legumes para sua mãe. 

A condição social e financeira do garoto já começava a ser mostrada na primeira cena e se tornou mais evidente quando o quitandeiro impede Ali de escolher legumes de boa qualidade,  mostrando-lhe onde estavam os que poderia levar, já que dinheiro não tinha naquele momento para pagar aquela nem a outra conta que seus pais estavam devendo. 

Ao sair, a grande surpresa e motivo de desespero: Os sapatinhos rosa tinham sumido! Aquele era o único par de sapatos da sua irmã.

Após uma busca infrutífera, o pequeno Ali chega em casa e é questionado pela irmã sobre o paradeiro dos seus sapatos. A cena é uma das mais comoventes. Enquanto os pais comentam as dificuldades por quais passam, os irmãos, que estão sobre o surrado tapete, que serve tanto de sofá, quanto de cama, no único cômodo da casa, comunicam-se através de bilhetinhos feitos no caderno de estudos. 

Muito sentida, a pequena Zahra pergunta como vai para a escola no dia seguinte, pois não quer ir de chinelos. Nesse momento Ali tem uma ideia para solucionar a situação, mas para isso a irmã não pode contar o que houve aos pais, pois o problema não era a bronca que ele levaria, mas o fato do pai não ter dinheiro para comprar outros sapatos.

O plano do garoto era que ele e a irmã passariam a dividir o surrado tênis de Ali para irem à escola. Não é preciso dizer que são vários os contratempos em que se envolvem, até que um dia, após tanto olhar para os pés das alunas na escola, Zahra encontra os seus sapatinhos perdidos. 

As cenas que se desenrolam depois são de pura emoção. Ao chegar com o irmão a frente da casa da garota que estava com os sapatos, descobre que a menor saia para trabalhar com o pai cego e ambulante. Comovendo-se com a cena que veem só resta aos irmãos se conformarem com a perda. Até que um dia surge a oportunidade de Ali entrar numa competição de corrida entre alunos de várias escolas. Para Ali era a possibilidade de ganhar um novo par de tênis, que ele poderia depois trocar por sapatos para sua irmã. Para isso bastava ficar em 3º lugar! O 1º lugar não lhe interessava, pois não tinha um sapato como prêmio.

De uma história simples o autor consegue desenvolver um enredo profundamente comovente e que nos emociona, onde é mostrada a força dos vínculos afetivos de uma família pobre que vive em um subúrbio de Teerã, em que sobressai o amor, o carinho e a cumplicidade entre os irmãos. Um pai, que apesar de rude, mostra-se um homem honesto e preocupado com os seus, a despeito das grandes dificuldades financeiras que enfrenta.

De forma singela também são mostrados outros aspetos da vida no Irã, a rígida disciplina na escola, a solidariedade entre os vizinhos, os costumes e os hábitos domésticos, como também as diferenças sócio-econômicas gritantes que existem nas grandes cidades.

Filhos do Paraíso (Children of Heaven)
Direção e roteiro: Majid Majidi

Indicado para o Oscar como Melhor Filme Estrangeiro de 1999. Concorreu com o brasileiro Central do  Brasil, Tango, The Grandfather e o vencedor, A Vida é Bela.








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